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O Lado Bom do DESEMPREGO
por Antonio Carminhato *

Tudo na vida tem a primeira vez.

O primeiro choro
O primeiro sorriso
O primeiro banho
O primeiro dente
O primeiro passo
A primeira aula
O primeiro amor
O primeiro beijo (bem, vamos parar por aqui) e...
O primeiro desemprego

Se refletirmos sobre as experiências das "primeiras vezes", pode-se facilmente observar que todas elas acrescentaram alguma coisa positiva em nós e em nossa vida.

Mas se o desemprego não é uma experiência agradável como o primeiro beijo, então por que acrescentaria algo?

Os atualmente desempregados sabem o quanto é desagradável.

Os que já estiveram desempregados, pelo simples fato de não quererem estar novamente, poderiam concluir que esta experiência não foi positiva e não acrescentou nada em suas vidas, muito pelo contrário, foi um período de grandes privações, nervosismo e ansiedade.

Os que nunca estiveram desempregados, considerem que tudo na vida tem a primeira vez e pode acontecer quando menos se espera.

A "experiência" do desemprego não é apenas do executivo contratado ou do trabalhador regular.

Os empresários e empreendedores também passam pela mesma experiência e sensação - sem chamá-la de desemprego - nas encruzilhadas da vida.

Chamo esta experiência de "momentos ampliados de consciência". É a mesma sensação, em menor escala, de quando recebemos a notícia da morte de um ente querido.

Neste momento parece que estamos adentrando a um novo meio ambiente que promove um extraordinário e enorme estado de alerta ou de consciência, junto com sensações de pavor e desespero.

Por vezes são necessárias horas para assimilar a nova e irreversível realidade e para iniciarmos o processo de adaptação.

Acho que nossos antepassados, na época das cavernas, sentiam isso quando lutavam ou fugiam de animais predadores ou de assemelhados mais fortes, e viam membros da família e comunidade serem impiedosamente mortos pelos adversários.

Talvez tenha sido a mesma sensação que o macaco teve ao deixar a proteção do alto das árvores e descer para o solo, quando começou a explorar as redondezas.

Diferente de nossos primos "homo sapiens" que foram extintos, sobrevivemos porque tivemos a capacidade de nos proteger em cavernas, construir armas para a nossa defesa, enfim, soubemos nos adaptar ao meio ambiente.

A experiência do desemprego ou da morte de um ente querido reproduz em nossa mente e corpo, mantendo-se as devidas proporções, as mesmas sensações de nossos antepassados.

A consciência desta nova realidade promove um violento impacto elétrico em nosso cérebro, como se todos os neurotransmissores fossem acionados, ocorrendo uma múltipla e simultânea descarga de agentes químicos.

Então a nossa sobrevivência no mercado de trabalho e na vida também depende de nossa capacidade de adaptação ao novo meio, sem aquele emprego ou atividade ou sem a presença de um ente querido que partiu.

Esta experiência é, então, uma ocorrência repetitiva e necessária no processo de evolução da humanidade. São momentos de ampliação da consciência do eu e do desenvolvimento da utilização do cérebro.

Toda a empresa, para cumprir os seus objetivos, deve ter como regra de conduta um menor índice de erros e um maior índice de acertos. O equilíbrio destes índices é fundamental para o sucesso e a sobrevivência de cada célula da empresa.

Se considerarmos que a experiência do desemprego desenvolve a nossa habilidade de adaptação ao meio, podemos concluir que ela aumenta a nossa chance de tomarmos as decisões corretas.

Dentro deste conceito, o executivo que teve uma experiência de desemprego deve ser mais maduro e eclético do que aquele que não teve, e tem muito mais possibilidades de se adaptar ao novo meio ambiente do que o que nunca esteve desempregado.

Estar ou ter estado desempregado não deve ser demérito para nenhum profissional, portanto não é necessário utilizar-se de artifícios para "encurtar" os períodos entre as empresas no currículo ou evitar mencioná-los na entrevista.

Esse período entre empresas pode ser interpretado como lições de sobrevivência e desenvolvimento da capacidade de adaptação e de valorização de um emprego.

O entrevistador experiente deveria considerar este aspecto ao selecionar um profissional, ou seja, contratar os que tenham experiência e aptidões técnicas específicas e também considerar a experiência de vida.

A adaptabilidade é uma habilidade absolutamente necessária para o sucesso profissional, já que o meio ambiente está em permanente mutação.

Para desenvolver a adaptabilidade temos que quebrar a nossa rotina, seja em pequenas coisas, como mudar o trajeto de ida e vinda do trabalho, escovar os dentes com a outra mão ou praticar alguma atividade diferente, como saltar de pára-quedas.

Quando estivermos adaptados à nova atividade, quer dizer que ela se tornou parte de nossa rotina e, portanto, chegou a hora de iniciarmos uma nova etapa. Assim é a vida.

Por Antonio Carminhato

* Antonio Carminhato é Instrutor de Qualidade de Vida, pós-graduado na Holanda, Diretor do Instituto Arte de Viver www.felicidade.com , que tem por finalidade elevar o nível de bem-estar e eficiência profissional, através de cursos de Qualidade de Vida pela Internet e empresas, além de ministrar palestras sobre o tema em todo o Brasil. E-mail: assessoriadeimprensa@felicidade.com
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