Tudo na vida tem a
primeira vez.
O primeiro choro
O primeiro sorriso
O primeiro banho
O primeiro dente
O primeiro passo
A primeira aula
O primeiro amor
O primeiro beijo (bem, vamos parar por aqui) e...
O primeiro desemprego
Se refletirmos sobre as experiências das
"primeiras vezes", pode-se facilmente observar que todas elas acrescentaram
alguma coisa positiva em nós e em nossa vida.
Mas se o desemprego não é uma experiência
agradável como o primeiro beijo, então por que acrescentaria algo?
Os atualmente desempregados sabem o quanto é
desagradável.
Os que já estiveram desempregados, pelo simples
fato de não quererem estar novamente, poderiam concluir que esta experiência não foi
positiva e não acrescentou nada em suas vidas, muito pelo contrário, foi um período de
grandes privações, nervosismo e ansiedade.
Os que nunca estiveram desempregados, considerem
que tudo na vida tem a primeira vez e pode acontecer quando menos se espera.
A "experiência" do desemprego não é
apenas do executivo contratado ou do trabalhador regular.
Os empresários e empreendedores também passam
pela mesma experiência e sensação - sem chamá-la de desemprego - nas encruzilhadas da
vida.
Chamo esta experiência de "momentos
ampliados de consciência". É a mesma sensação, em menor escala, de quando
recebemos a notícia da morte de um ente querido.
Neste momento parece que estamos adentrando a um
novo meio ambiente que promove um extraordinário e enorme estado de alerta ou de
consciência, junto com sensações de pavor e desespero.
Por vezes são necessárias horas para assimilar a
nova e irreversível realidade e para iniciarmos o processo de adaptação.
Acho que nossos antepassados, na época das
cavernas, sentiam isso quando lutavam ou fugiam de animais predadores ou de assemelhados
mais fortes, e viam membros da família e comunidade serem impiedosamente mortos pelos
adversários.
Talvez tenha sido a mesma sensação que o macaco
teve ao deixar a proteção do alto das árvores e descer para o solo, quando começou a
explorar as redondezas.
Diferente de nossos primos "homo
sapiens" que foram extintos, sobrevivemos porque tivemos a capacidade de nos proteger
em cavernas, construir armas para a nossa defesa, enfim, soubemos nos adaptar ao meio
ambiente.
A experiência do desemprego ou da morte de um
ente querido reproduz em nossa mente e corpo, mantendo-se as devidas proporções, as
mesmas sensações de nossos antepassados.
A consciência desta nova realidade promove um
violento impacto elétrico em nosso cérebro, como se todos os neurotransmissores fossem
acionados, ocorrendo uma múltipla e simultânea descarga de agentes químicos.
Então a nossa sobrevivência no mercado de
trabalho e na vida também depende de nossa capacidade de adaptação ao novo meio, sem
aquele emprego ou atividade ou sem a presença de um ente querido que partiu.
Esta experiência é, então, uma ocorrência
repetitiva e necessária no processo de evolução da humanidade. São momentos de
ampliação da consciência do eu e do desenvolvimento da utilização do cérebro.
Toda a empresa, para cumprir os seus objetivos,
deve ter como regra de conduta um menor índice de erros e um maior índice de acertos. O
equilíbrio destes índices é fundamental para o sucesso e a sobrevivência de cada
célula da empresa.
Se considerarmos que a experiência do desemprego
desenvolve a nossa habilidade de adaptação ao meio, podemos concluir que ela aumenta a
nossa chance de tomarmos as decisões corretas.
Dentro deste conceito, o executivo que teve uma
experiência de desemprego deve ser mais maduro e eclético do que aquele que não teve, e tem muito mais
possibilidades de se adaptar ao novo meio ambiente do que o que nunca esteve desempregado.
Estar ou ter estado desempregado não deve ser
demérito para nenhum profissional, portanto não é necessário utilizar-se de
artifícios para "encurtar" os períodos entre as empresas no currículo ou
evitar mencioná-los na entrevista.
Esse período entre empresas pode ser interpretado
como lições de sobrevivência e desenvolvimento da capacidade de adaptação e de
valorização de um emprego.
O entrevistador experiente deveria considerar este
aspecto ao selecionar um profissional, ou seja, contratar os que tenham experiência e
aptidões técnicas específicas e também considerar a experiência de vida.
A adaptabilidade é uma habilidade absolutamente
necessária para o sucesso profissional, já que o meio ambiente está em permanente
mutação.
Para desenvolver a adaptabilidade temos que
quebrar a nossa rotina, seja em pequenas coisas, como mudar o trajeto de ida e vinda do
trabalho, escovar os dentes com a outra mão ou praticar alguma atividade diferente, como
saltar de pára-quedas.
Quando estivermos adaptados à nova atividade, quer dizer que ela
se tornou parte de nossa rotina e, portanto, chegou a hora de iniciarmos uma nova etapa.
Assim é a vida.